Falar sobre a poesia de Bartolomeu Campos de Queirós é como querer alcançar a Lua estando aqui mesmo, na terra. Não que isso seja impossível, porque temos a nosso favor a imaginação. Então, ler a poesia de Bartolomeu, especialmente a contida na obra A árvore, pode ser leve como a pluma, mas pode ser pesada se quisermos carregá-la sozinhos. Para mergulhar nos textos desse escritor mineiro, é preciso estar acompanhado da criança que mora em nós, a criança que um dia fomos.

Ainda que distribua, democraticamente, sua sombra, A árvore pertence ao poeta e parece desejar mudar-se para dentro de casa. Sua sombra se debruça pela janela, espiando o sofá e lhe revelando um mar de folhas com os bichos que por ali perambulam, pousam, repousam, se arrastam: borboletas, cigarras, grilos, lagartas, formigas, abelhas… Além da sombra, é para Bartolomeu que vão o colo, as notícias, as lições…

Se para o poeta “escolher um tema é dar corpo ao que sufoca, é buscar razão para a fantasia, é dar forma ao imaginário”, em A Árvore, ele nos decifra o aprendizado verde em que toda esperança é um louvor a Deus. Mario Cafiero criou belas imagens para a poesia do texto e nos apresentou uma árvore tão poética e altiva como a do escritor.