Este é o meu terceiro post consecutivo com o objetivo de discutir a tecnologia em sala de aula. Nos últimos três meses, postei no blog Tecnologia e escola: uma questão de virtude e E a internet em sala de aula?, ambos os textos com o objetivo de provocar a reflexão sobre como e o quê, realmente, fazer para incorporar as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) no ambiente escolar.

Paralelo às leituras teóricas e às atividades do dia-a-dia na escola, comecei a conversar, pedir conselhos e tirar dúvidas com alunos sobre o que eles achavam da internet, da escola, como conseguiam aliar a web com os estudos e assim por diante. Bate-papos informais, coisa de minutos entre um intervalo e outro, com estudantes do 6º ano ao ensino médio com características bem diferentes: desde alunos aplicados, dedicados, até aqueles com maiores dificuldades de atenção, falta de disciplina e afins.

Entre as questões, perguntei para os alunos sobre até que ponto a internet era relevante para seus estudos, como facilitaria durante pesquisas e de que maneira a web poderia ser mais bem utilizada pelos seus professores. Bom, nesta pequena pesquisa informal com os alunos, já foi possível identificar um interesse comum a todos e dois subgrupos com opiniões distintas. Explico melhor:

  • O interesse comum: acesso à internet em qualquer lugar. Não exatamente em sala de aula, mas nas dependências da escola. Ter a possibilidade de acessar a informação pelos próprios equipamentos sem precisar depender da disponibilidade de computadores nos laboratórios de informática. Ou seja, mobilidade e flexibidade no acesso à internet. E sobre o contato com os professores e os conteúdos das matérias via internet? Unanimidade ao afirmarem que sentem falta de um ponto de comunicação com seus professores na web. Afinal seria um canal de fácil acesso para tirar dúvidas e rever conteúdos a qualquer momento do dia e em qualquer lugar.

No entanto, agora começam as divergências:

  • Grupo A (prezam pelo imediatismo): visualizam o canal de contato com o professor, via internet, principalmente, como uma ferramenta para dúvidas sobre os conteúdos vistos em sala de aula. Gostariam de poder ter suas dúvidas respondidas pelos professores enquanto estudam em casa, ou seja, prezam pelo imediatismo e a mobilidade.
  • Grupo B (prezem pelo complemento): não acreditam na web como uma solução imediatista, pois afirmam que uma ferramenta como almeja o Grupo A seria como desmerecer a aula do professor. Acreditam que o ideal é a escola utilizar a web como uma ferramenta de complemento para o conteúdo trabalhado em sala de aula. Por exemplo: por meio da internet, o aluno ter acesso a materiais complementares – vídeos, textos, imagens, sites – sugeridos pelos professores para suas respectivas disciplinas.

E agora, José? Opiniões ouvidas e o desafio: de que maneira aplicar na prática soluções em que as TICs, realmente, enriqueçam e sejam aliadas no papel formativo do aluno? Sem esquecer a quantidade de desafios já enfrentados pelos professores, como as salas de aulas com grupos grandes de alunos, a falta de recursos disponibilizados pelas instituições e a cobrança pelo cumprimento do currículo escolar num calendário apertado que tende a não privilegiar tentativas para outros formatos de ensino e avaliação.

Abraço!

Vinícius Soares Pinto