No meu último post, comentei sobre a importância da virtude na hora das escolas adotarem a tecnologia em sala de aula. A importância das instituições de ensino não terem a substituição do quadro, lápis e papel por lousas interativas e tablets como sinônimo de solução para a aplicabilidade das TICs na educação. Da mesma forma que ignorar todo esse processo de discussão e modernização das ferramentas de ensino é fechar os olhos para uma realidade que, fora dos muros da escola, passa por relevantes transformações no modo de se relacionar com a informação. Portanto, lembro ter afirmado que, num primeiro momento, o desafio ainda não é descartar o uso de ferramentas, sejam elas “analógicas” ou “digitais”, mas tentar tirar o máximo de proveito da união de ambas.

A partir desta discussão, quero dar um passo atrás em relação aos tablets, smartphones, lousas interativas, projetores 3D e afins, para falar da internet. Assim como ficamos quase que inertes quando falta luz em nossas casas, ou no local de trabalho, sem saber o que fazer, a falta da internet já nos paralisa quase que da mesma forma. É acontecer algum problema com a nossa conexão com a rede mundial de computadores para que tablets, smartphones e computadores se transformem quase que em sucata digital, sem motivos para existirem. Partindo desta realidade, não vejo as escolas engajadas com o uso da internet em si, mas apenas alimentando uma expectativa muito grande em relação à aplicabilidade do maquinário – computadores, tablets, lousas interativas -, ou seja, passos maiores que as pernas. Afinal, a maioria das instiuições de ensino ainda mal consegue utilizar, realmente, de maneira proveitosa, a internet, assim como docentes também não estão qualificados para pesquisar na mesma.

Não é o gadget que eu uso que é importante. Não é o celular, o tablet ou o computador que vai determinar o que eu posso construir, mas sim outros aspectos, muito mais amplos, e que formam um ambiente de comunicação favorável a isso. O primeiro aspecto é a computação ubíqua, que significa poder estar conectado a todo o momento à world wide web (www) e poder se comunicar com qualquer pessoa.Pierre Lévy em entrevista coletiva realizada na USP, em agosto de 2011.

Comparo a pesquisa na internet com o ato de pesquisar em uma biblioteca. Quando estamos num ambiente rodeado de estantes repletas de livros e periódicos científicos, nos amparamos em autores e assuntos com os quais temos mais intimidade, e, aos poucos, vamos tecendo relações com outras obras, por meio de citações e indicações, até que nos sentimos à vontade no meio daquele caos inicial de possibilidades. Bom, com a internet não é muito diferente. No entanto, você, como docente e pesquisador da sua disciplina, consegue me dizer ao menos três sites, três blogs, três revistas digitais, três bibliotecas digitais, três enciclopédias digitais que você utiliza como fonte de pesquisa na internet? Ou sua pesquisa é sempre restrita e mediada pelos resultados do Google?

Desta forma, uma escola repleta de equipamentos eletrônicos, mas sem um projeto pedagógico e um corpo docente preparado para tirar proveito da internet como mais uma ferramenta de pesquisa, torna-se apenas uma instituição de ensino promovendo a sucata digital. Portanto, a pergunta não é se a escola tem, ou não, o aparato tecnológico, mas se o seu corpo docente sabe, realmente, usar a internet como meio de pesquisa.

Este é o primeiro passo, acredito eu. Agora, como o professor mediar e cobrar a pesquisa na internet dos seus alunos, em sala de aula e em ambientes virtuais, é assunto para o próximo post.

Abraço!

Vinícius Soares Pinto