No primeiro final de semana de setembro, fui conhecer o “Caminho dos Jesuítas”, juntamente com um grupo de educadores da 1ª fase do Ensino Fundamental do Colégio. Fomos com o objetivo de conhecer o tal caminho e perceber a viabilidade de fazê-lo com as crianças do 4º ano. Fomos informados que esse caminho era utilizado desde os tempos pré-coloniais pelos indígenas, que subiam ao primeiro planalto para fazer a coleta de pinhões. Mais tarde, foi utilizado pelos portugueses e jesuítas como um meio de acesso em busca de mercadorias. Portanto, esse foi um caminho de ligação entre o primeiro planalto paranaense e o litoral e possui 17 km, aproximadamente.

Pesquisando um pouco da história da construção desse caminho, descobri que entre 1820 e 1853, por ordem do Barão de Antonina, foi construída uma íngreme e estreita calçada de pedras, parte da qual existe até hoje. As pedras utilizadas para a construção do caminho foram retiradas, pelos escravos, dos rios da Serra do Mar, que correm paralelamente a  “calçada de pedras”. Após 1853, esse caminho deu origem ao traçado da Estrada da Graciosa. Atualmente, o caminho corta as curvas desta.

Iniciamos o caminho por Morretes e logo no começo da trilha já foi possível ver as pedras que formam a ”calçada”. É um caminho estreito e aparentemente liso, quando muito úmido. Neste inicio, encontra-se mais aberto, pois parece ser bastante freqüentado por moradores do local e por turistas. Começa plano e se torna íngreme aos poucos. É um trecho de exuberante Floresta Atlântica (Floresta Ombrófila Densa) e, portanto, grande diversidade de flora e, consequentemente, de fauna, influenciados por vários rios pedregosos da Serra do Mar. Algo que nos chamou a atenção foram as folhas de bromélias caídas pela trilha, pois foram arrancadas e serviram de alimento para um bando de macacos. Observamos tocas de tatu, liquens, palmiteiros, xaxins… Enfim, uma infinidade de biodiversidade que aguçam nossos sentidos.

O caminho é um atrativo a mais de uma região próxima a nós, que une história e natureza!

Aproveitando toda a história do caminho e relacionando-se a ele, fomos conhecer o antigo Colégio Jesuíta de Paranaguá, que iniciou sua história com uma petição da Câmara Municipal de Paranaguá ao Provincial da Companhia de Jesus no Rio de Janeiro, no final do século XVII, solicitando a vinda de jesuítas para educar os jovens da cidade.

O colégio foi inaugurado em 1755 e é o único exemplar da arquitetura colonial de três andares do sul do país. Suas paredes têm mais de um metro de espessura. O Colégio possui também imensos corredores que convergem para um jardim interno. É uma construção muito bonita!

Continuando a história… em 1759, os jesuítas foram expulsos do Brasil pela Lei Pombalina e o “colégio” passou a abrigar repartições do governo. Muitos anos depois, em 1938, o prédio foi tombado e dez anos depois, restaurado. Em 1958, a guarda da edificação passou à UFPR, que ali instalou um museu universitário. Em 1990, o Museu passou por uma reestruturação e em 1999 seu nome foi alterado para Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR, pois este passou a abrigar exposições de técnicas de pesca do litoral paranaense, réplica de uma casa de engenho de cana-de-açúcar, uma casa caiçara, peças em cerâmica e madeira da cultura regional, instrumentos utilizados pelos indígenas da região …

Enfim, foi um belo caminhar pelo Caminhos dos Jesuítas.

Fica a dica de um ótimo passeio pela natureza e pela história! Eu recomendo…

Suellen Oriana Kricky