A ideia inicial era fazer um álbum de imagens no facebook com personagens que são marcantes em filmes. E chegou aqui com um textinho sobre. Acho que o resultado será um pouco parecido com um texto que fiz pra cá, Em busca do belo e da graça. Nele eu falava de como as obras de arte nos fazem sentir algo incomparável, o que significa dizer que alcançamos o belo e a graça. Depois de refletir sobre isso, percebi que alguns personagens em si também são capazes de despertar algo parecido. Um misto de admiração com o desejo de ser parecido. Vou listar alguns deles que merecem ser conhecidos.

Clint Eastwood em Por um punhado de dólares (1964).

Joe, o personagem, é um cara durão, com pose de galante e de herói. De poucas palavras e, graças as suas atitudes, respeita e é respeitado. É um cara calmo, que nunca perde a linha. É justamente o contrário de Sonny Corleone, filho de Don Vitto Corleone, de O poderoso chefão que morre por ser explosivo e agir por impulso.

Brad Pitt em Bastardos Inglórios (2009).

Interpretando o tenente Aldo Raine, sua missão é a de operar atrás das linhas inimigas. Ele, com um grupo de 9 soldados, é largado na França, vestido como civil e tem como o objetivo matar nazistas, de formas bem cruéis. Ele é um militar atípico, diferente por exemplo do Sargento Hartman de Nascido para matar. Ele tem senso de humor, é mais divertido, e está numa situação totalmente diferente. É parceiro de seus subordinados.

Al Pacino em Perfume de Mulher (1992)

Coronel Frank Slade é aposentado das forças armadas por conta de um acidente com uma granada. Após juntar algumas economias, viaja até Nova Iorque com Charlie Simms (contratado para passar o feriado com ele). À beira de cometer suicídio, o Coronel aproveita bem sua estadia até que Charlie estraga seus planos. Os pontos altos do filme são quando Frank dança tango com uma desconhecida em um restaurante e dirige uma Ferrari. Coisas que seriam normais se não fosse o fato de ele ser cego, o que dá uma carga de dramaticidade e esperança sem igual.

Cate Blachett em Não Estou Lá (2007).

A única mulher dos 7 atores que interpretam Bob Dylan, ela tem a melhor performance, a mais marcante, chegando a se parecer muito, mesmo fisicamente, com o músico. A cena que mais me chamou a atenção é a qual ela bate boca com um jornalista, que está aí abaixo.

Marla Singer, digo Helena Bonham Carter, em Clube da luta (1997)

Num filme em que os dois atores principais representam só um personagem, Marla deveria ter um papel de coadjuvante. E tem! Não para mim. Nesse caso, confesso, não sei explicar muito bem o porquê. Só sei que ela me agrada muito. Costumo dizer que gostaria de casar com ela. Besteira, eu sei.

Jack Nicholson e Shelley Duval em O Iluminado (1980).

Jack Torrance é um escritor que vai com sua família cuidar de um hotel que está fechado por conta de um inverno rigoroso. Ele já foi tema também de um outro texto aqui do Midiaeducação. Os atores foram extremamente cobrados por Stanley Kubrick, o que pode explicar a tamanha intensidade da interpretação. Conta-se uma história de que uma cena, a que está abaixo, levou 70 e poucas tomadas para ser considerada apta pelo diretor. Explica-se, então, que o choro de Shelley não era puro teatro, mas sim de desespero por não ter conseguido agradar Kubrick.

Diego Zerwes

É publicitário (UP) e Especialista em Literatura Brasileira e História Nacional (UTFPR). Trabalha na Comunicação do Colégio Medianeira. É tradutor (diletante) da vasta obra musical de Leonard Cohen, publicada periodicamente no Traduzindo Leonard Cohen.
Leia outros artigos dele aqui.