Tudo começou ainda no ano passado, nos intervalos de almoço nos quais eu ouvia bastante música e tinha experiências estéticas fabulosas. Era uma sensação tão boa que eu pensava: “poxa, preciso compartilhar isso com alguém, preciso mostrar pros outros como isso é lindo”. O mesmo acontecia com os livros e também com o cinema. Já tinha um blog, mas que precisava ser revitalizado. Então, fiz isso. O problema é que esse tipo de atividade necessita de fôlego, um longo e renitente fôlego. No primeiro mês, você vai bem. Aí, tudo começa a ficar devagar, até que uma hora você nem lembra que ele existe. Para ajudar, ainda, as visitas eram mínimas, isso quando tinha.

Foi quando pensei que eu poderia ter um grupo interessado nesses tipos de discussão, sobre música, literatura e cinema, ali mesmo, ao meu redor. Foi quando sugeri ao Cezar Tridapalli a criação de um “grupo” para debater sobre a arte, especificamente estas acima. Já nesse ano, entre umas conversas e outras, pensamos num nome, tarefa não muito fácil. Apreciar uma obra de arte, seja assistir um filme, ouvir uma música ou mesmo ler um livro. Tudo isso é leitura. Por isso, Leituras. O objetivo do Projeto é fazer a mediação entre obra de arte e aluno. É a tentativa de apresentar o que está na contracorrente do que vemos, massificadamente, na internet (ainda que o melhor meio de conhecer coisas novas e de qualidade), na televisão, no cinema hollywoodiano e nas rádios. É apresentar o que é canônico e o que é novo. É apresentar novas maneiras de ler a arte.

Já que o objetivo é a mediação e não puramente o “ensino”, pedi para não ser chamado de professor. Confesso que, no começo, fiquei extremamente nervoso, apesar do pequeno número de “alunos”. Eu me perdia frequentemente. Uma coisa eles sempre ouviam, depois que fazia meus devaneios: “do que mesmo eu tava falando?”. Mas, aos poucos, fui pegando o jeito de lidar com eles, acho eu. Depois do segundo ou terceiro encontro, tudo foi ficando mais leve, mais tranquilo, mais solto. E acredito que tanto para mim quanto para eles. Agora, eles estão mais falantes. Novas pessoas aderiram ao projeto e agora somos 11, inclusive com a participação do Thiago, que trabalha junto com o Alceu. Creio que o objetivo principal foi cumprido. Foi uma experiência enriquecedora em tantos sentidos.

Venho dar um recado e agradecer pela presença, participação e também aprendizado (porque o enriquecimento é mútuo: nós aprendemos, sem exceção). Por isso, Bruna, Carol, Diego, Felipe, Giovana, Guilherme, Jéssica, Laís e Marjorie, muito obrigado. E nos vemos no próximo semestre.

Um abraço,

Diego Zerwes