Há uma semana fomos agraciados por um espetáculo astronômico: um eclipse lunar. Velho conhecido o eclipse, cientificamente decifrado, mas ainda um espetáculo. Mesmo quando a lua cheia já nasce eclipsada, como foi desta vez para nós, do lado de cá do mundo. Por cerca de uma hora acompanhamos a lua se despir das sombras da Terra.

Pois, hoje, 21 de junho, por volta das catorze horas em nosso fuso, outro fenômeno astronômico está ocorrendo. Não precisa esperar que o céu esteja limpo, ou correr para a janela a ver algum astro fugaz… bem, digamos que, na prática, não há nada a se ver. Mas, certeiramente a Terra estará lá, passando certinho, pontualíssima (como um trem suíço) alcançando e já partindo de uma estação do trilho solar. É o solstício. O hemisfério norte, a metade de cima do coco, mais inclinada, reverenciando o Sol, rei do Sistema. Sutilmente arcada em 23 graus e meio, a face norte da Terra recebe o máximo de radiação solar. Ainda que com ultravioletas A, B…, uma benção estelar. O dia por lá é o mais longo e a noite a mais curta. Nas terras banhadas pelo Ártico nem haverá noite. Ao meio-dia sobre o Trópico de Câncer o Sol estará a pino como nunca estivera nesse ano, e como nunca mais estará. Absolutamente perpendicular, por alguns instantes, o Sol irá raptar todas as sombras dos objetos e seres verticalizados que por ventura estiverem sobre o tal trópico.

Porém, cá estamos na metade sul do coco. A noite vai se delongando, quanto mais nos afastarmos da linha equatorial. Em Fortaleza, os cearenses nem vão perceber diferença. Quem sabe o Sol vai se por uns dois ou três minutos a menos do que há alguns meses. Só isso. Quanto aos curitibanos, vamos conferir o nascer do Sol lá pelas sete da manhã e já às cinco e meia da tarde lá se vai o Sol, escorrendo pelo horizonte oeste abaixo.

É assim o início da nova estação, o inverno. Pois é isso que o solstício também define: o final de uma estação para o nascer de outra. Na chuvosa Inglaterra de hoje (só hoje?) cerca de dezoito mil pessoas se reuniram diante das ruínas do monumento de Stonehenge para celebrar o Solstício. Tal qual faziam há coisa de três mil anos os celtas. Quantos solstícios desde então já se passaram…

Francisco Rehme, o Chicho.