É interessante quando o mesmo tema é retratado por diferentes autores, ainda mais quando eles estão situados em épocas tão distantes. É o que acontece com Caio Valério Catulo, que nasce em 84 a.C. e morre em 54 a.C., e com Francis Scott Fitzgerald, que nasce em 1.896 e morre em 1.940.

Catulo e a Trança de Berenice

O Poema 66 de Catulo é uma tradução da elegia “A Trança de Berenice”, de Calímaco. Ele faz uma homenagem a Berenice, “filha de Magas, rei de Cirene” (OLIVA, 1996, p. 228). Ela, casada com Ptolomeu III Evérgetes (que é também primo), se encontra em uma situação muito delicada: seu marido irá guerrear contra os assírios, sob o comando de Seleuco II. Tentando mudar a sorte do marido, ela faz uma promessa solene. Iria depositar sua trança de cabelo no tempo de Arsínoe Zefirítide, caso ele voltasse são e salvo. “Obtida a graça, cumpriu-se o voto” (idem). Na manhã seguinte da entrega da trança, novo problema: a trança sumiu, o que “causou grande abalo na corte” (ibid.). Entra em cena, então, Cônon, astrônomo da casa real. Ele declarou, portanto, “havê-la descoberto no céu, certo levada por alguma divindade e tornada constelação” (ibid.). João Angelo Oliva Neto aponta que “Se, para o caso de Calímaco, há, no matrimônio factual que louva, traços de poesia palaciana, a tradução do poema feita por Catulo, por afastamento de espaço e tempo, neutraliza esses traços e apropria-se apenas do matrimônio temático, que é o quanto lhe interessa, por fazer relacionar a tradução, que agora é seu poema […]” (ibid.).

Catulo não muda, porém, a pessoa que narra os feitos desta bela história: ainda é a Trança a personagem principal, a narradora. Ela evoca Cônon, dizendo-o célebre, talvez por descobri-la. “[…] de Berenice eu sou a trança,/brilhando claramente, que ela a muitos deuses/prometeu, estendendo os leves braços,/quando o rei, afortunado por recentes/bodas, foi devastar Assírias terras,” (idem). Os dois próximos versos evocam a ideia de uma milícia do amor, um dos lugares comuns da elegia: “levando as doces marcas da noturna luta,/que travou para os virginais despojos./”. Ela prossegue dizendo que tristeza verdadeira não é a dos pais, feita de fartas lagriminhas vertidas. Dor verdadeira quem teve foi Berenice, ao perder não só o marido, mas também o irmão. Nesse ponto há mais um lugar comum da elegia, a doença do amor, que é reforçado nos versos seguintes: “Quão fundo a dor queimou-te as íntimas medulas,/como de ti, ferida em todo peito/sem sentidos, fugiu toda a razão!/”. Essa fuga da razão é causada pelo morbus amoris, cuja consequência, justamente, é a promessa de entregar sua trança à Vênus. Berenice, contudo, desde nova mostrava ter razão. Esse ponto é exaltado quando a Trança diz que “desde menina” ela era “magnânima”. Segundo Oliva, isso remete a uma passagem da vida de Berenice (com 15 anos), em que “fez cumprir o antigo pacto, mandando matar Demétrio”. Demétrio, o Belo, era amante de sua mãe e quando Magas, marido de Ápama e pai de Berenice, morre, ela obriga a filha a casar-se com o amante. É quando ela manda matar Demétrio, contudo poupa a mãe. Essa ação é considerada pela Trança – que, a propósito, tudo vê e tudo sabe – como “bela” e ainda lhe dá ainda a alcunha de “[…] mulher/de rei e que ninguém mais forte usou?/”

A constelação Cabeleira de Berenice

A figura de mulher casta e de “pudor virginal” da Rainha Berenice volta a aparecer na poesia lá no verso 77, com mais um depoimento de sua Trança: “ela com quem não senti perfumes quando/foi jovem, mas depois bebi milhares./E vós, no dia desejado vindo as bodas,/não entregues sem veste o corpo, os nus/mamilos aos unânimes maridos […]/”. Os versos que antecedem o final são estes: “E tu, rainha, ouvindo estrelas, quando Vênus,/diva, aplacares em festivos dias,/eu, tua, não me deixes sem os teus perfumes,/ mas antes dádivas me dá bem grandes/”. Em outras palavras, o que a Trança diz é que continue usando seus perfumes (simbolizando talvez o ato sexual com o marido), que, depois de quebrado o “pudor virginal” com o casamento, ela já bebeu milhares.

A Trança de Berenice fala, então, que foi prometida aos deuses pelo amor ao marido “[…]. E não em muito tempo a Ásia,/cativa, a Egípcias terras anexou./Por estes feitos, dada ao grupo dos celícolas,/com novo dom dissolvo o antigo voto./Não por querer deixei, rainha, tua fronte, não por querer.[…]/”. Aí se constata que Ptolomeu III volta para sua amada. Consequentemente, o celícola Cônon, com novo dom que possui agora a trança – que é o de ser constelação – quita seu voto. Se queixa ainda a Trança que não foi por pura vontade que deixou a fronte de Berenice.

Logo em seguida, há um elemento que, segundo Oliva, é um “articulador de digressão”: a questão do Ferro. “O mesmo ferro, com que se ‘arrasam’ montanhas e com que se lutam guerras, tal como fez o Evérgetes – por cujo retorno a trança foi prometida – é aquele com que ela está sendo cortada” (Oliva, 1996, p. 230). A Trança amaldiçoa os inventores do ferro, os Cálibes, considerados como os primeiros siderúrgicos: “Dos Cálibes, ó Júpiter, que morra/toda a raça e o primeiro que buscou na terra/veios, moldando o ferro com dureza./”

Pensando ser um mártire, a Trança narra sua subida aos céus considerando que suas irmãs madeixas choravam seu destino, “[…] quando o filho único/do Etíope Mêmnon ar moveu com asas fléxeis,/de Arsínoe Lócrida corcel alado:/veio, e, erguendo-me, voa em meio a etéreas sombras/ e a Vênus, em seu casto seio, entrega-me./” Diz Oliva que a primeira referência, Etíope Mêmnon, é discutível:

Memnonis unigena. Passagem muito discutida, pois unigena pode ser “nascido junto Mêmnon” (una genitus), por isso seu irmão, ou “único nascido”, “filho único” de Mêmnon (uno genitus), como aqui, aludindo-se à fabula do avestruz nascido das cinzas de Mêmnon, rei lendário da Etiópia, mencionado por Ovídio. […] Gubernatis, de quem se acolhe a lição, em favor dela menciona a existência, referida por Pausânias, de um bronze no Hélicon, que representava Arsínoe, irmã e mulher de Filadelfo, sobre um avestruz (CORCEL ALADO).

A Trança, pelo viés que Catulo lhe dá, assume um papel de extrema importância: a de Deusa. Sabendo de tudo o que acontece a sua volta, há um paradoxo em sua condição de constelação, já que, ao mesmo tempo, ela assume ser constelação – ao lado de Virgem e Leão e também da coroa das têmporas de Ariadne que, segundo Oliva, era uma “coroa de ouro feita por Vulcano que Baco deu à esposa no dia das núpcias. Após a morte de Ariadne, a coroa se tornou constelação” (Oliva, p. 230) – e ser indiferente a esta questão, já que, como diz Oliva, se referindo ao fim do poema, que a distância de Órion a Aquário “mostra a indiferença da Trança por assuntos celestes, já que estas constelações são muito distantes” (idem, p. 231). “Estrelas, por que mais? mais quero ser cabelos/régios! Que Órion esplenda junto a Aquário”.

Os versos que antecedem o final são estes: “E tu, rainha, ouvindo estrelas, quando Vênus,/diva, aplacares em festivos dias,/eu, tua, não me deixes sem os teus perfumes,/ mas antes dádivas me dá bem grandes/”. Eles denotam uma ligação, que carrega os traços de onisciência do cabelo entre Trança e Berenice.

A constelação Cabeleira de Berenice está situada bem ao norte de Virgem, formando aquele “L”, semelhante à imagem de cima.

Fitzgerald e o corte de cabelo de Bernice

Autor da chamada Geração Perdida, que compreende, basicamente, a década de 1920, Francis Scott Key Fitzgerald é considerado um escritor que procurou um estilo de vida caracterizado pela busca à fama e reconhecimento, de um certo status social, e de viver luxuosamente. Isto está bem caracterizado, por exemplo, com o personagem Jay Gastby, do romance O grande Gatsby, um magnata que costuma dar grandes festas em sua mansão, na esperança de que seu grande amor vá, coincidentemente, a uma das festas.

Na breve biografia presente no livro O diamante do tamanho do Ritz e outros contos, há um depoimento que simboliza como isso é forte em suas narrativas: “Às vezes não sei se eu e Zelda existimos de fato ou se somos personagens de um de meus romances” (FITZGERALD, 2006, p. 5). O período em que foi escrito o conto Bernice corta o cabelo (1920) se caracteriza também por grande efervescência cultural, principalmente em Paris, local onde convergem os maiores escritores (não só eles) de todo o mundo, entre eles, Gertrude Stein, Ernest Hemingway, Ezra Pound, James Joyce, T. S. Eliot.

Ernest Hemingway e sua esposa Hadley, em um café com Lady Duff Twysden e amigos, em Pamplona, Espanha, 1925.

Como não poderia ser diferente, em Bernice corta o cabelo o ambiente descrito coaduna com o estilo de vida procurado pelo autor: um grande clube, danças, jovens se paquerando, mulheres acima de 35 anos horrorizadas com as atitudes dos mais novos, coisa típica de uma sociedade conservadora e tradicional. Ao descrever o ambiente do clube, os modos dos adolescentes, ele começa a apresentar os personagens. O primeiro é Warren McIntyre. Ele costumava freqüentar a universidade de Yale, sendo um dos pobres rapazes desacompanhados, tateou o bolso do paletó atrás de um cigarro e caminhou até a ampla varanda à meia-luz, onde casais se espalhavam pelas mesas, enchendo a noite iluminada por lanternas com palavras vagas e risos indistintos (idem, p. 63).

Ele é apaixonado pela sua vizinha da frente, Marjorie Harvey, mas esta “retribuía o sentimento com uma ligeira gratidão, mas ela o havia submetido a seu teste infalível e dito seriamente que não o amava” (ibid.). O que ela faz, na verdade, é um espécie de jogo, algo que nós, hoje, chamaríamos charme.

O conto inicia já na festa. Alguns personagens são apresentados superficialmente, com exceção dos dois acima e de Bernice, prima de Marjorie. A personalidade de Marjorie é delimitada logo no primeiro diálogo da narrativa: “– Warren – ela sussurrou –, faça uma coisa por mim… dance com a Bernice. Ela está empacada com o pequeno Otis Ormonde há quase uma hora” (idem,p. 64). O que segue é esclarecedor: “O brilho de Warren se dissipou”.

Ernest Hemingway e Francis Fitzgerald

Bernice era considerada uma pessoa chata. Em outras palavras, é possível dizer que ela não era popular. E isso fazia com que ela não fosse procurada pelos rapazes para dançar, visto que essa era a atividade comum na época, como o próprio conto deixa claro.

Não importa o quão bonita ou inteligente seja uma garota, a reputação de não ser frequentemente tirada para dançar dificulta muito a sua posição num baile. Talvez os rapazes prefiram a sua companhia em vez da companhia das borboletas com quem dançam uma dúzia de vezes por noite, mas a juventude nessa geração movida a jazz é temperamentalmente inquieta, e a idéia de dançar mais do que um foxtrote inteiro com a mesma garota é desagradável, para não dizer detestável (ibid., p. 65)

Se ela carece de simpatia para os rapazes dançarem com ela, as conversas também não eram empolgantes. Enfado era o que Warren sentia ao estar com ela.

“[…] Bernice perguntou-se pela centésima vez por que nunca recebia qualquer atenção quando estava longe de casa. O fato de que a sua família fosse a mais rica de Eau Clarie, de que a sua mão fizesse festas freqüentes e, oferecesse jantares para a filha antes de todos os bailes e de que tivesse lhe comprado um carro para que desse as suas voltas nunca lhe ocorreu como fatores relacionados ao sucesso social de que gozava em sua cidade natal” (ibid., p. 68).

Bernice percebe que há algo de errado quando ouve uma conversa entre sua tia e Marjorie, que reclamava da chatice da prima: “Eu até tentei dar-lhe dicas sobre roupas e outras coisas, e ela ficou furiosa… dando-me os olhares mais estranhos” (ibid., 69). Ao viver no mundo perfeito propiciado por seus pais, na qual é reconhecida com certa distinção, ela sente um choque porque os outros não a reconhecem como tal. Há aqui o elemento do outro, do outro construtor da identidade, da alteridade. O outro tem um papel de extrema dor para Bernice: mostra quem realmente ela é.

Para ser aceita, portanto, ela passa por um transformação: ela aceita tudo o que a prima tem a lhe dizer. Como se portar em público, sua aparência (desde a sobrancelha até as roupas) sobre o que e como conversar com os rapazes (como tratar os mais tímidos – aí está uma dica de grande: dançar com estes também, diz Marjorie que essa é uma maneira de sempre estar dançando com pessoas diferentes) e também uma possível mudança radical em seu cabelo. “ – Foi terrivelmente gentil de sua parte… mas ninguém jamais falou comigo assim antes, e eu estou me sentindo meio zonza” (ibid., p. 77).

As dicas de Marjorie funcionaram sim. A atenção voltou à sua pessoa com a seguinte pergunta, para vários rapazes: “O senhor acha que eu devo cortar o meu cabelo[…]?” (ibid., p. 78).

- Então resolvi […] que no começo da semana que vem irei à barbearia do Sevier Hotel, onde me sentarei na primeira cadeira e mandarei cortar o meu cabelo. […] Claro que cobrarei ingressos, mas, se todos forem me encorajar, distribuirei convites para os assentos internos (ibid., p. 79).

Dessa maneira, Bernice se tornou uma garota popular, sendo convidada a dançar a poucos passos depois de terminar uma música (isso pelos garotos mais populares), e também a ficar íntima de Warren McIntyre. Esse se tornou o grande problema. Apesar de Marjorie dizer que não amava Warren, obviamente era apenas um jogo. “No começo, a criada ficou claramante espantada quando ele perguntou por Bernice e não por Marjorie, depois de uma semana, disse à cozinheira que a srta. Bernice havia roubado um flerte da srta. Marjorie. […] E a srta. Bernice tinha mesmo” (ibid., p. 84).

Quando todos reunidos, depois de um jogo de Brigde, Marjorie revela a todos que o corte de cabelo de Bernice era apenas um blefe para chamar a atenção. “- É verddade? – perguntou Otis, olhando Bernice com reprovação” (ibid., p. 85). “-Fingida – observou Marjorie novamente. […] – Vamos lá, Bernice – encorajou Otis. – Faça-a se calar”.

Uma eternidade de minutos depois, seguindo para o centro da cidade no fim de tarde ao lado de Warren, com os demais seguindo no carro de Roberta logo atrás, Bernice experimentou todas as senações de Maria Antonieta a caminha da guilhotina numa carroça (ibid., p. 87)

“Quando desceu da cadeira, tentou sorrir – e fracassou terrivelmente” (ibid., p. 89). Bernice caiu na armadilha de Marjorie. De menina chata e entendiante, para popular e então em um monstro (dada a conjuntura social machista). É a segunda grande mudança na vida da protagonista, cuja situação final pior que a primeira. Já no momento, seus “amigos” não conseguiram esconder a vergonha. Marjorie pede uma carona a Warren e é atendida na hora.

- Nossa, Bernice!- Cortei o cabelo, tia Josephine. – Nossa, filha! – A senhora gostou? – Nossa, Ber-nice! – Imagino que a senhora tenha ficado chocada. – Não, mas o que a sra. Deyo vai pensar amanhã à noite? Bernice, você deveria e esperado se queria fazer isso. – Foi repentino, tia Josephine. De qualquer modo, o que isso tem a ver com a sra. Deyo em particular? – Ora, fiha – gritou a sra. Harvey – no ensaio “Os pontos fracos da nova geração” que leu no último encontro do Clube das Quintas-Feiras, ela dedicou quinze minutos ao cabelo curto. É a sua maior aversão. E o baile é para você e Marjorie! (ibid., p. 90)

O que está em jogo, neste caso, é a aparência, quais são os modos para uma mulher ser aceita na sociedade. A aparência física e tudo aquilo que ela representa, o que há de simbólico. Dessa maneira, Bernice foi polidamente convidada a não comparecer ao baile. Já no quarto, antes de dormir e antes de partir,

Bernice estremeceu quando Marjorie jogou o próprio cabelo por cima dos ombros e começou a enrolá-lo lentamente em duas longas tranças loiras até que, em sua camisola cor de creme, ela se parecia com uma delicada pintura de alguma princesa saxônica (ibid., p. 91)

Desse jeito, Marjorie foi dormir, com suas belas tranças. Já de madrugada, antes de sair, pegou uma tesoura no escravinha e, sem hesitar, cortou as duas tranças de Marjorie. Uma vingança, menos sutil, é claro, que o plano da prima, mas ainda sim com o poder destrutivo.

“Depois de uma caminhada enérgica de um minuto, percebeu que a mão esquerda ainda segurava as duas tranças. […] Agora estava passando pela casa de Warren e, num impulso, pôs a bagagem no chão e, balançando as tranças como pedaços de corda, atirou-as na varanda de madeira, onde elas pousaram com uma pancada leve” (ibid., p. 93). E concluiu: “- Ha! – disse, rindo desenfreadamente. – O escalpo da egoísta!” (ibid., p. 94).

“A Trança de Berenice” e “Bernice corta o cabelo”

Há uma semelhança muito grande de temática: o corte de cabelo. Difícil afirmar que Fitzgerald possivelmente tenha lido a tradução de Catulo. Ou ainda, o contrário disso. O que é possível afirmar, entretanto, é que a semelhança não parece ser fortuita. O resto, é só especulação.

A última fala de Bernice, no conto de Fitzgerald, é emblemática para mostrar a grande diferença entre as duas narrativas. Enquanto o corte de cabelo Bernice e, consequentemente de Marjorie, é movido primeiro pela inveja e depois pela vingança, o da Rainha Berenice é, de alguma forma, altruísta. Altruísta porque o seu objetivo, o seu voto, era fazer com o que o marido voltasse para casa vivo.

Sem precisão historiográfica e sociológica, talvez seja possível supor que, no caso da Rainha, o cabelo tivesse certa importância social, como no caso de Fitzgerald (isso fica bem explícito na fala da sra. Harvey sobre o discurso da sra. Deyo). É interessante uma possível comparação com a reação dos outros quanto aos cortes de cabelo (apesar de no caso da Rainha isso não estar implícito). Se a Trança de Berenice foi roubada, Cônon, rapidamente, explica ela ter sido “transformada” em constelação. Fato que Catulo transforma num vôo aos céus e recebimento no seios por Vênus. O corte de cabelo da Rainha Berenice é algo nobre, transcendente. O de Bernice é vil, mesquinho e egoísta, baseado em ciúmes e inveja.

Diego Zerwes

É publicitário (UP) e Especialista em Literatura Brasileira e História Nacional (UTFPR). Trabalha na Comunicação do Colégio Medianeira. É tradutor (diletante) da vasta obra musical de Leonard Cohen, publicada periodicamente no Traduzindo Leonard Cohen.
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