Bruninho com o topo ainda encoberto pelas nuvens da manhã.

Extasiados, enfim sentamos sobre a extensa pedra. Calor de dezembro e a subida ao topo do Bruninho* estava pela metade, mas era melhor não acreditar nisso.

Tinha gosto de diversão, mas era trabalho. Gravávamos algumas imagens a respeito do potencial pedagógico oferecido pela Chácara do Colégio Medianeira, localizada em Piraquara. Olhamos para aqueles muitos tons de verdes de uma área de pouco mais de um metro quadrado. Reunidos, sobrepostos, ali estava uma coleção de líquens, musgos, algumas gramíneas e arbustos. Um pequeno jardim, um arranjo sobre o granito (muito viva, mas como toda rocha, se fingindo de morta…). De modo que, nesse breve descanso, divagávamos a respeito da evolução de um ecossistema até ele alcançar o clímax, algo que no tempo em que cursei o “segundo grau” era chamado de ecese:

Eis como germina uma floresta. Os liquens crustáceos são os pioneiros, atacam a rocha e de leve, com carinho, desprendem dela alguns minerais, iniciam o esfarelamento da rocha. Sobre esse “quase solo” o musgo se instala e se espalha, como um tapete verde escuro. Mais umas centenas de anos e os resíduos do musgo, do líquen, mais rocha desagregada, permitem o capim aparecer e cravar suas raízes. Mais tarde, com um solo incipiente de alguns centímetros de profundidade, os primeiros arbustos de araçazeiro se aventuram em brotar. Então vem as árvores… aí já se passaram milhares de anos. Para nós que passamos rapidamente pela terra, coisa de setenta anos em média, é algo que extrapola qualquer projeto de futuro… mas, o velho granito do Bruninho, dois bilhões de anos nas costas, parece dar sacudidelas de um riso meio contido, meio vazado: ah…, pensa ele, isso aí virar floresta, ih… é rapidinho, coisa para amanhã cedinho!

 

Visto do topo do Bruninho

A título de esclarecimento:

*O Bruninho é assim conhecido por cerca de 40 anos, ao menos. Trata-se de uma montanha de 1.230 metros de altitude, situada numa das extremidades da Serra do Marumbi e no interior da Chácara do Colégio Medianeira. Na mesma cadeia estão alguns irmãos mais célebres do Bruninho, ou por serem mais altos, ou por se situarem no coração de um templo sagrado do montanhismo:  o Morro do Canal, o Olimpo, o Morro do Leão, o Gigante, o Torre dos Sinos, a Ponta do Tigre, a Esfinge, o Abrolhos, o Facãozinho…

Francisco Carlos Rehme, o Chicho.