Feira do Livro Medianeira e 1ª. Bienal Internacional do Livro de Curitiba

Bem, estamos próximos de mais uma Feira do Livro do Medianeira, que abre no dia 9 de maio e prossegue de 11 a 15. Além disso, teremos, de 27 de agosto até 4 de setembro, a 1ª. Bienal Internacional do Livro de Curitiba (já era hora, né?).

Por isso, nada melhor do que falar sobre livros e leitura. Particularmente, adoro estatísticas e comparações; por isso, apresento aqui muitos dados sobre a leitura no Brasil e os comparo com estatísticas dos Estados Unidos, França e Itália.

Um estudo publicado pelo Ministério da Cultura informa que cada brasileiro lê menos da metade da quantidade de obras lida nos Estados Unidos (cinco livros por ano) e em países da Europa (de cinco a oito).

Vamos ver isso melhor?

NO BRASIL

Para começar, vamos ver partes de um estudo do Instituto Pró-livro, que nos dá mais subsídios:

Há uma grande, enorme fatia da população que não conhece os materiais de leitura, ou conhece muito mal. Há um claríssimo problema de acesso aos materiais de leitura, especialmente ao livro. Mesmo tendo-os por perto, falta a descoberta, a volta na chave que faz a súbita ligação e torna o sujeito capturado para a leitura. Ele não descobriu a senha.

(…)

As alegações para a ausência de leitura evidenciam problemas de várias ordens:

- Falta de tempo: 54%;

- Outras preferências: 34%;

- Desinteresse: 19%;

- Falta de dinheiro: 18%;

- Falta de bibliotecas: 15%.

Assim, 33% das alegações dizem respeito à falta de acesso real ao livro e 53% dizem respeito ao desinteresse pela leitura. Se considerarmos a falta de tempo uma questão de opção na organização da agenda pessoal, o índice de desinteresse pela leitura cresce muito.

(…)

As dificuldades de leitura declaradas configuram um quadro de má formação das habilidades necessárias à leitura, o que pode decorrer da fragilidade do processo educacional:

- leem muito devagar: 17%;

- não compreendem o que leem: 7%;

- não têm paciência para ler: 11%;

- não têm concentração: 7%.

Todos esses problemas dizem respeito a habilidades que são formadas no processo educacional.

NOS ESTADOS UNIDOS

Os países considerados desenvolvidos também estão preocupados com a questão, embora seus problemas sejam menores do que os nossos. Abaixo, alguns dados curiosos; mas você pode saber mais, clicando aqui:

- 46% do americanos adultos não conseguem entender a bula de suas prescrições médicas;

- 56% dos jovens dizem ler mais de 10 livros por ano, com alunos do Ensino Médio sendo os que mais leem;

- Cerca de 70% de alunos do Ensino Médio leem mais do que 10 livros por ano, comparados ao 49% de alunos do Ensino Superior;

- 50% dos adultos americanos são incapazes de ler livros de nível de 8ª série;

- Em uma turma de 20 estudantes, alguns poucos professores conseguem dispensar ao menos 5 minutos do tempo em um dia para ler com cada aluno.

NA FRANÇA

Considerado como um dos países mais leitores do mundo, resolvi investigar como andam as coisas por lá. Você também pode ver o texto completo, com mais dados sobre essa pesquisa de 2008.

- Na frança, a proporção de leitores franceses evoluiu pouco em 20 anos: eles eram 66% em 1981 e são 69% em 2008;

- Em contrapartida, constata-se com temor: o número de livros lidos está em baixa: se 42% dos franceses liam mais do que 5 livros em 1983, eles não são mais do que 34% em 2008; 
- A pesquisa foi feita apenas com pessoas acima de 18 anos;
– O leitores de poucos livros (aqueles que leram entre 1 e 5 livros nos últimos 12 meses) são cada vez mais numerosos: eles passaram de 24% da população em 1981 para 35% em 2008;

- Os leitores médios (de 6 a 20 livros nos últimos 12 meses) diminuíram, passando de 28% em 1981 para 25% em 2008.

NA ITÁLIA

Também há uma pesquisa bastante aprofundada sobre a situação da leitura na Itália. Abaixo, alguns dados de comparação:

- Em 2006, 60,5% da população de 6 anos e mais leram ao menos um livro nos últimos 12 meses;

- A quantidade de leitores é maior do que 70% dos 11 aos 24 anos, com um pico entre 15 e 17 (76,3%) e diminui conforme a idade aumenta;

- 37% da população acima de 6 anos não leram nenhum livro nos 12 meses anteriores à entrevista;

- O tédio com a leitura é o principal motivo: 29,8%;

- Falta de tempo livre: 25,2%;

- A preferência por outras distrações: 19,6%;

- Os problemas de vista, motivos de saúde, idade avançada: 14,5%;

- A preferência por outras formas de comunicação: 11,6%;

- O cansaço depois do trabalho, estudo ou tarefas domésticas: 10,1%;

- Alto preço dos livros: 5,5%;

- Complexidade da linguagem contida nos textos: 4,2%;

- Ausência de livrarias perto de casa: 0,8%;

- Falta de lugar tranquilo para ler: 0,7%; e

- Ausência de biblioteca: 0,7%.

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Ok, todo mundo sabe que temos esse problemas de leitura no Brasil. Mas faço uma pergunta: alguma vez na nossa história foi diferente? O que fazer, enfim, para mudar isso?

E você: pense um pouco: quantos livros você leu nos últimos 12 meses? Responda a enquete ao lado, lá no alto do blog!

O que você tem a dizer sobre estas estatísticas? Sua média está parecida com a brasileira? Pois é, esse post ficou bem longo, né? Mas, se você chegou até aqui, bom sinal, hein?

E quem lê também escreve. Faça seus comentários pra gente conversar junto com todo mundo que se manifestar por aqui.

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Imperdível 1: no vídeo abaixo, o escritor e filósofo espanhol Fernando Savater fala dos livros, da vida e da morte:

Imperdível 2: para discutir e estimular a prática da leitura entre os pequenos, não deixe de visitar o blog Leiturinhas, da nossa professora Luciane Hagemeyer.

Abraços!