Aproveito a semana da Feira do Livro do Colégio Medianeira para retomar discussões sobre a leitura. A questão agora é a seguinte: de que maneira suas práticas de leitura e escrita se transformaram com a revolução digital? Será que a sua maneira de ler e escrever é semelhante à dos seus filhos e netos? Ou, para os mais novos, será que você produz um texto da mesma forma que seus pais? Certamente não.

A revolução digital e a invenção da Internet, realmente, ocasionaram mudanças na maneira de se lidar com a informação e respectivamente sua produção. É possível perceber essas diferenças quando pegamos geração distintas e analisamos suas formas de trabalhar.

As diferenças já começam na maneira intuitiva de lidar com a tecnologia, sendo possível distinguir dois grupos: os “Nativos Digitais” e os “Imigrantes Digitais”. O primeiro grupo são os jovens de hoje, nascidos a partir da década de 90, e que foram integrados de maneira “natural” à interface dos computadores. Essa geração não necessita da materialização da informação – possui músicas, fotos, agenda, tudo de forma virtual -,  e ao mesmo tempo em que produz um texto, está conectado no e-mail, trocando alguma ideia no chat com amigos e pesquisando conteúdo diverso na web.

Em contrapartida, quem nasceu antes da década de 90 e presenciou a revolução digital precisou migrar seus costumes para as novas tecnologias, caso quisesse acompanhar as mudanças de seu tempo. Dessa forma, o imigrante digital ainda sente certa dificuldade por não conseguir integrar de maneira intuitiva as novas ferramentas, parecendo tropeçar na barreira da velocidade e na realidade de múltiplas ações paralelas e simultâneas.

E quando se começam a analisar os hábitos de leitura das diferentes gerações, de acordo com Lucia Santaella, é possível identificar três tipos de leitores:

1. O leitor contemplativo, meditativo (nascido entre o Renascimento e meados do século XIX):

“Esse leitor não sofre, não é acossado pelas urgências do tempo. Um leitor que contempla e medita. (…) Um mesmo livro pode ser consultado quantas vezes se queira, um mesmo quadro pode ser visto tanto quanto possível. Sendo objetos imóveis, é o leitor que os procura, escolhe-os e delibera sobre o tempo que o desejo lhe faz dispensar a eles”.

2. O leitor fragmentado, movente (fruto da  revolução industrial e do aparecimento dos grandes centros urbanos):

“Este leitor nasce com o advento do jornal e das multidões nos centros urbanos habitados de signos. É o leitor apressado de linguagens efêmeras, híbridas, misturadas. (…) A impressão mecânica aliada ao telégrafo e à fotografia gerou esse ser híbrido, testemunha do cotidiano, fadado a durar o tempo exato daquilo que noticia. Nasce com o jornal um tipo novo de leitor, o leitor fugaz, novidadeiro, de memória curta, mas ágil. Um leitor que precisa esquecer, pelo excesso de estímulos, e na falta do tempo de retê-los. Um leitor de fragmentos, leitor de tiras de jornal e fatias de realidade”.

3. O leitor virtual (nascido após a revolução digital):

“Não mais um leitor que segue as sequências de um texto, virando páginas, manuseando volumes, percorrendo com seus passos a biblioteca, mas um leitor em estado de prontidão, conectando-se entre nós e anexos, num roteiro multilinear, multi-sequencial e labiríntico que ele próprio ajudou a construir ao interagir com os nós entre palavras, imagens documentação, músicas, vídeo etc.”

Bom, com tantas diferenças na percepção da informação e nas diferentes relações de tempo e espaço entre gerações, fica o desafio aos pais e educadores: como educar de forma interessante e atraente aos olhos desses jovens?

Vamos pensar!

Abraço!