Após a revolução digital, principalmente com o surgimento da Internet, as pessoas se viram diante de um universo de escolhas e combinações infinitas. Uma realidade diferente da de algumas décadas atrás, em que se vivia o efeito “bebedouro”. Mas por que bebedouro? Porque todo mundo bebia da mesma fonte de informação, ou seja, todos assistiam à mesma novela, ao mesmo telejornal e aquilo era o assunto que norteava discussões durante cafezinhos do dia seguinte.

Hoje, com a web, as centenas de canais de televisão, milhares de revistas especializadas e por aí vai, as pessoas têm a possibilidade de beber de inúmeras fontes de informação e entretenimento, ou seja, vão em busca do conteúdo que realmente querem e até interagem com o mesmo, diferente de serem meros espectadores de uma única informação.

Além do mais, a (r)evolução tecnológica e o surgimento dessas inúmeras ferramentas na web, como  sites de relacionamento, chats, fóruns e afins, fizeram com que pessoas criassem o hábito de conversar e de se relacionar com quem realmente compartilha de seu interesses, independente se esses companheiros virtuais estão no Japão, Alemanha ou no apartamento ao lado.

Se o sujeito gosta de Star Wars, ou de discutir o conflito entre palestinos e israelenses, ou de falar sobre Física Quântica, ou sobre o casamento da última celebridade, ele encontra eco em várias pessoas de diversas partes do mundo, mas nem sempre encontra nas pessoas à sua volta. Pergunto: sério, isso é ruim? Pode ser ruim? Cabe uma pergunta dessas?

Esse assunto pode ser interessante justamente porque muitas vezes vemos pessoas preocupadas com uma “juventude” (sempre a juventude, coitada) que se relaciona menos pessoalmente e mais digitalmente. Se o cara hoje é escritor e conta que teve uma infância solitária, pois não sabia jogar bola e então ficava só lendo, todo mundo dá risada e acha lindo (eu, inclusive); mas, se o cara hoje tem suas reservas de solidão relativa – é relativa porque ele, embora sozinho no quarto, pode estar lendo, escrevendo e falando com pares distantes –, precisamos encarar isso necessariamente como um problema?

Deixo mais uma pergunta, que resume tudo isso: será que essa enorme gama de fontes de informação só vem a enriquecer as discussões do cafezinho do dia seguinte, ou estamos caminhando para uma realidade em que cada um se fecha no seu quadrado de interesses, interage e conversa com “intimidade” apenas em suas comunidades virtuais, através da interface do computador?

Vamos conversando…