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Com o dedo indicador, aponta para mim; tendo indicador e o polegar unidos, faz movimentos lineares na longitude da palma da outra mão e, então, com as duas mãos, palmas frente uma à outra na altura de seus respectivos ombros, um movimento em meia velocidade para baixo, centralizando-as, mas não chegando a encostá-las. Durante a evolução desses sinais gestuais, expressa facialmente sua intenção interrogativa. Respondo com punho fechado em sua direção e em movimento verticalmente oscilatório, com um sorriso sem dentes. Com os dois indicadores levantados, podendo visualizar as ranhuras internas das dobras das falanges, alterna suas alturas cerca de três vezes e faz um sinal de aspas com indicadores e médios. L-I-B-R-A-S, respondo usando a datilologia e os dentes na continuidade daquele sorriso. Com indicador e polegar abertos, os afasto da boca enquanto colo o polegar à mão e, depois, levanto em movimento repentino e giratório o punho fechado com indicador rígido em pé. Prossigo pondo as duas mãos espalmadas para cima, juntando as cinco falanges distais de cada uma e afastando-as, repetindo a ação cerca de cinco vezes e, então, levando de baixo para cima, com movimentos laterais, a mão tendo somente o mindinho ereto e os olhos mais abertos que o normal. Passo a mão espalmada em frente ao rosto, de cima para baixo, imitando o fechar de um leque e, no sinal seguinte, o dedo médio estando sobreposto ao indicador, como se o prendesse, os outros dedos recolhidos, rotaciono a mão e libero-o, produzindo um som de fricção; passo uma mão aberta entre os dedos maior de todos e o seu vizinho da outra; fecho a mão com o polegar pousado sobre a dobra que existe entre a segunda e a terceira falanges do indicador, deixando-o perto de meu peito e, com movimento rotacional, o ponho para longe e completo a frase movimentando à minha frente a mão em posição de garra, marcando regiões de cima para baixo, e, em seguida, com a mão espalmada, dedão próximo ao rosto e minguinho distante, desço-a em movimento ondulante. Vejo um sorriso largo, uma concordância ao cravar o dedo médio, que forma um ângulo de noventa graus com o indicador, na palma da outra mão, convictas. Vou além, abrindo e fechando um par de vezes a mão em frente à testa e acarinhando o peito em movimentos circulares. Palmas se encarando frente ao peito, dedos relaxados, afasto-as ao mesmo tempo em que abro um pouco também os dedos; tendo somente os dois indicadores levantados, as mãos entre eles, desço-os como duas cancelas espelhadas; fricciono indicador e médio e repito o sinal da primeira pergunta que me dirigiu, quando procurou saber se eu escrevia naquele momento, e que com o punho oscilante, respondi sim. Agora o assunto está imerso na descrição dos movimentos, ilustração que nos traz dificuldades de compreensão. Tratar de uma linguagem, da Libras e da escrita. A mão que sobe com energia e indicador rígido em pé: incrível. E quando é o minguinho, é porque tem extrema importância. Há pouco mais de um ano, o curso de Libras oferecido aos funcionários do Colégio Medianeira vem nos ajudando a crescer, um bom sinal para acreditar que as mãos colocadas lado a lado, com as palmas para baixo, serão deslocadas até uma estar sobre a outra.


Bruno Ruiz

Bruno Ruiz é acadêmico de licenciatura em Artes Visuais na Faculdade de Artes do Paraná (FAP) e trabalha no setor Audiovisual do Colégio Medianeira.
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