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Receber os bons amigos em casa para um bate papo, com uma comidinha caseira preparada com todo esmero: esse é um dos momentos em que mais encontro prazer na vida. Adoro cozinhar para as pessoas queridas, e adoro receber estas pessoas em minha casa.

Sábados a noite são perfeitos para tais encontros, pois nesse dia, boa parte dos amigos tem disponibilidade para ficar até um pouquinho mais tarde. As crianças podem permanecer acordadas brincando, já que no dia seguinte não têm aula cedo, e os adultos (dentre os quais, muitos professores) também podem desfrutar de um pouco de sossego, uma parada no alucinante ritmo de todos os dias.

Porém, não é sempre que podemos fazer estes encontros. Na verdade, está cada vez mais difícil achar o tempo e a disposição para preparar um jantar, ou algo mais simples para ficarmos juntos. E aí que está o grande problema de nossas vidas de engrenagens do sistema: como continuar vivendo, sem sermos reduzidos a peças de produção? Talvez a resposta esteja justamente na insistência em promover aquilo que nos define como seres humanos, ou seja, insistir na sociabilidade. Mesmo em um ritmo fordista de trabalho, temos que encontrar o tempo para respirar, rir, abraçar, e fazer o que se gosta. Se for juntamente com aqueles que amamos, melhor ainda.

No meu caso, a cozinha é um espaço maravilhoso para isso. Acredito que cozinhar é expressar uma forma de amor. Muito de nossa personalidade fica na comida que preparamos. E o ritual é composto por um longo preparo, desde a definição do prato, passando pela escolha e compra dos ingredientes, até o cozimento, com toda a alquimia que integra esse processo.

Sei que pode parecer um pouco clichê, mas deixarei uma receita muito simples e saborosa, que aprendi com minha mãe (aprendida, por sua vez, com minha avó polonesa). Não é um prato indicado para mantermos as pazes com a balança, e pode ser um pouquinho pesado para dias mais quentes. Mesmo assim, sempre agradou meus convidados.

Macarrão com requeijão e bacon:

Ingredientes:

  • Um pacote de macarrão (500g) de sua preferência (gosto muito do pene, mas uma massa caseira também cai muito bem).
  • ½ Kg de bacon (com um bom equilíbrio entre a quantidade de gordura e de carne).
  • 500g de requeijão granulado fresco (daqueles que se compra em casas de frios e broas)
  • 1 copo de requeijão cremoso
  • 2 cebolas médias
  • 4 dentes de alho
  • Queijo parmesão, provolone ou mussarela (ou todos eles, se você quiser).

Preparo:

Corte o bacon em cubos médios, e coloque numa panela em fogo baixo, com tampa. Não é necessário colocar óleo, uma vez que a gordura do bacon, com a panela tampada deve assegurar que não queime. Quando os cubos estiverem levemente fritos, acrescente a cebola picadinha e o alho (que pode ser picadinho ou macerado), e deixe fritar por mais alguns minutos. Cuidado para não fritar demais, pois o bacon não pode ficar torrado.

Em uma panela grande, ferva entre 4 e 5 litros de água, com um fio de óleo e sal a gosto. Nessa panela cozinhe o macarrão (que deve ficar al dente, para não virar uma papa depois) e escorra quando estiver pronto. Depois de escorrer, na mesma panela que cozinhou o macarrão (ou em um recipiente grande) coloque mais ou menos 2/3 do preparo do bacon, despeje o macarrão e misture. Em seguida, despeje o requeijão cremoso e também misture. Então é a vez do requeijão granulado, que também deve ser bem misturado. Por último, coloque esse preparo numa refratária (untada com um pouquinho de azeite de oliva), e acrescente o restante do bacon por cima. Cubra com o queijo de sua preferência e leve ao forno pré-aquecido até o queijo derreter.

Fica muito bom, com o acompanhamento de uma salada de rúcula com tomates, e um bom vinho para os que apreciam (pessoalmente, prefiro uma cerveja gelada).

Espero que, se alguém se aventurar nessa receita, possa ter uma boa experiência. Assim como desejo que sempre possamos ter mais tempo para nossos encontros, para o exercício da sociabilidade e para os prazeres da culinária, que enriquecem as pessoas e boas amizades.

Luciana Podlasek

É graduada (Licenciatura e Bacharelado) em História pela UFPR, é professora desde 1996, tendo lecionado no Ensino Fundamental e no Médio. Trabalha há 7 anos no Colégio Medianeira.Leia outros artigos dele aqui.