019-pepemujica

Uma liderança política que conquista a admiração dos diversos setores da sociedade é um caso raro. Vemos isso hoje no presidente do Uruguai, Pepe Mujica. Progressistas e conservadores elogiam Mujica, muito mais por sua postura diante da vida, do que por seu posicionamento político. E nesse sentido, concordo que o presidente uruguaio demonstra uma enorme sinceridade em sua vida simples. Ter um sítio, viver dele, não compactuar com o glamour dos meios políticos é muito dissonante no mundo em que vivemos. E mais do que falar de Mujica, hoje quero falar sobre a beleza da simplicidade na vida.

Primeiramente, acredito de verdade que podemos viver com menos, e viver melhor. Não preciso ter o carro do ano, não preciso morar no mais luxuoso dos condomínios, não preciso ter o celular mais avançado, não preciso usar roupas de grife. Por outro lado, preciso de tempo para viver a vida, ao invés de só me tornar engrenagem produtiva para ganhar dinheiro; preciso de serenidade para observar e curtir os pequenos prazeres que temos todos os dias; preciso de alegria para continuar acreditando que um dia construiremos um mundo melhor para todos; preciso de humildade para aceitar que sempre estamos aprendendo com os outros.

Os churrascos com amigos, o bate-papo num fim de tarde de sexta feira, o piquenique no parque com as crianças são momentos de grande prazer para quem curte a simplicidade das coisas. Não importa que a carne do churrasco seja a mais barata da promoção no mercado, ou que o boteco da sexta-feira é aquele que sempre tem uma cerveja mais em conta (contanto que seja muito gelada), ou que o piquenique seja com alguns sanduiches e refrigerante.

É lógico que conforto sempre traz bem estar. Mas excesso de conforto gera consumismo, futilidade e egoísmo. Não se trata da pregação de uma vida plenamente franciscana, mas sim de buscar o equilíbrio entre o que realmente precisamos, o que temos que fazer para conseguir tudo isso, e o preço (para nós e para o meio ambiente) dessas riquezas. Quando conseguimos encontrar a felicidade com menos, acredito que alcançamos uma vida com simplicidade.

Muitos podem identificar essa visão de mundo como a visão dos perdedores, daqueles que não tem ambição para vencer na vida. É compreensível que muita gente pense assim no sistema em que vivemos. Mas toda essa ambição resulta em pessoas mais felizes? Acredito que não, pois ser feliz não é produto, e não pode ser comprado.

Então, quando vejo a simplicidade na vida das pessoas, sinto um profundo contentamento em viver. E essa multidão de pessoas, que vão desde um presidente como Pepe Mujica,  até o mais simples dos trabalhadores, são a prova que podemos construir um mundo fora da lógica perversa do consumismo, da superficialidade e da destruição.

luciana