015---tarsila

Ignorância, ingenuidade, intolerância, idiotice, indiferença… Tantos pontos para tantos “is”, assim como tantas opiniões para algo que, sejamos sinceros, você não tem a mínima noção do que é.

Com relação ao racismo, podemos adotar qualquer uma das posturas acima citadas, menos sermos hipócritas.

Existe uma lei no Budismo, talvez eu não devesse chamar lei, e sim uma prática, que são as quatro qualidades incomensuráveis, entre elas está a EQUANIMIDADE. A equanimidade é uma capacidade fundamental a ser desenvolvida no campo da autoexploração e da inteligência emocional e, por que não, racional. Isto equivale a procurar abandonar os juízos negativos sobre aquilo que estamos experimentando e substituí-los por uma atitude de suave naturalidade.

A palavra equanimidade deriva do latim aequus, que significa equilibrado, e animus, que significa espírito ou estado interno.

A equanimidade fala sobre a ação, ou não ação, de julgamento sobre os fatos. Estamos em constante julgamento de escolhas; bom ou mal, bonito ou feito, preto ou branco. Se experimentássemos a naturalidade, a neutralidade, a imparcialidade, estaríamos então falando de equanimidade que, hoje em dia, é muito facilmente confundida como falta de interesse, agir com frieza, apatia ou desamor, ou ainda, como mostrar descaso ou insensibilidade, de forma equivocada, já que todos estes conceitos já caracterizam uma forma de juízo e julgamento de valor.

Poderíamos falar de equanimidade quando se trata de cor? Racismo, por exemplo, pode estar no rol de nossos juízos de valores e opiniões. Segundo a Wiki:

“O racismo é a tendência do pensamento, ou o modo de pensar, em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras, normalmente relacionando características físicas hereditárias a determinados traços de caráter inteligência ou manifestações culturais. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré-concebidas que valorizam as diferenças biológicas entre os seres humanos, atribuindo superioridade a alguns de acordo com a matriz racial”.

Ou se discute o racismo sobre o viés da cor – da diferença cromática – ou se discute o racismo sobre a perspectiva social, os diferentes espaços na sociedade de classes.

A questão é simples se analisarmos de forma equânime. Se alguém é negro, ele se difere pela cor da pele? Observe você, eu, nós. Quem nós julgamos ser/estar na escala de cores do círculo cromático social para estabelecer distinção entre a sua cor e as demais?

Se você não é negro, é muito difícil falar sobre o que é ser negro ou sobre como um negro se sente quando… Por favor, não fale sobre o que você não sabe. Não sejamos ingênuos alimentando a ignorância, não nos façamos de idiotas alimentando a intolerância. Mais vale a postura da equanimidade do que a velha hipocrisia vigente nesta sociedade a cada dia mais branca, mais preta, mais cinza.

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