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- Texto dedicado às Repúblicas de Coimbra pelas coisas, pessoas e pelo universo paralelo que me proporcionaram nos dois anos que lá estive.

Há 40 anos Salazar caiu por terra. O dia 25/04/1974 não é importante somente para Portugal. Além da restauração da queda da ditadura que assolava o país há mais de quarenta anos, esse dia deu início a uma série de independências dos territórios ainda colonizados.

Não tenho a intenção de dizer que a independência ocorreu só porque a ditadura acabou. Em Angola e Moçambique, por exemplo, as guerras pelas frentes libertadoras já estavam em ação há cerca de uma década. Milhares de civis morreram (só na guerra moçambicana a estimativa é de 6 milhões de pessoas). Mas a perda de poder do regime ditatorial fez com que as coisas finalmente se encaminhassem para o fim.

É claro que tem muita história pra contar, mas sabe o que eu acho mais bonito nessa tomada/queda de poder? A forma como os sinais de que a revolução estava chegando foram passados…

No dia 24/04, já no fim da noite, tocou no rádio “E depois do Adeus” – interpretada por Paulo de Carvalho –, esse era um dos sinais combinados previamente. Era uma canção bastante popular em Portugal aquele ano. Um pouco depois da meia noite, já no dia 25/04, tocou “Grândola, Vila Morena” de Zeca Afonso, música que tinha sido censurada previamente, pois faz alusão ao comunismo.

Depois desses dois sinais, militares e cidadãos ocuparam as ruas e as movimentações foram tomando conta nas próximas horas. Poucas pessoas morreram (se é que se pode auferir esse quantitativo ao falarmos de vida).

Agora… Por que “Revolução dos Cravos”? Quando lá estive, ouvi algumas versões… Mas outro lado poético do fim da ditadura é que, na manhã do dia 25/04, os canos das espingardas estavam com cravos vermelhos… Agora pense, é poético, não é? Poderiam estar soltando tiros ou mesmo somente apontados às pessoas, mas não, estavam com flores…

Para um texto sem a emoção viuvista que carrego, recomendo: Testemunhas da Revolução dos Cravos falam da importância do evento

Para conhecer Zeca Afonso, perca-se pelo youtube, o “Concerto Ao Vivo no Coliseu” é especialmente bonito (não se deixe levar pelo preconceito com a música portuguesa).

E para ouvir uma homenagem ‘nossa’ ao ocorrido, ouça Chico Buarque.

rafa