Foto de Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Foto de Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Há três semanas invariavelmente amanhece com o céu escancarado (para os meteorologistas corresponde a céu totalmente aberto) e logo nas primeiras horas o sol já está abrasador. Fosse o coração do Brasil, no cerradão ou no interior do Nordeste, não haveria nada de novo nisso, mas trata-se de Curitiba, a capital nacional da frente fria – uma ideia para a turma do citymarketing curitibano -. Há vinte dias, creio que ininterruptos, lá pelas três da tarde, os termômetros alcançam e ultrapassam a marca dos trinta graus. Isso eu jamais havia vivenciado em meio século.

De modo que um velho – e muito sadio – hábito tão próprio do meio rural e das cidades pequenas em que ainda se sente segurança se percebe na capital paranaense: logo cedo as janelas – todas – são abertas ao máximo. Muitas, é verdade, não são abertas… posto que já permaneceram noite e madrugada toda nessa posição. Dormir sem coberta já não é algo muito curitibano, pois que nesse janeiro e início de fevereiro, além desse recurso, muitos de nós temos dormido de janelas e portas de sacadas abertas – desde que essas estejam um tanto altas, condição imprescindível.

E assim a nova paisagem urbana de Curitiba é essa: a cidade içou velas, ergueu as pestanas, abriu os olhos e deixou o ar entrar – bem, quando há algum vento. Daqui a quatro ou cinco meses, sediando ou não alguns jogos da Copa – esse suspense nem a globo imaginou colocar em alguma de suas novelas – estaremos de pele eriçada, com o ar gélido nos transpassando trinta graus abaixo do que nesse momento, quem sabe sorvendo alguma sopa de cappelletti em Santa Felicidade.

 

Francisco Rehme, o Chicho.