042---nomofobia

O texto de hoje não tem pé nem cabeça, poderia ser uma conversa com amigos na mesa do bar – faria mais sentido –, mas vem aqui.

Pra começo de conversa, eu sei que ‘cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é’… Dito isso: sempre levei o termo “fobia” muito a sério, pois remete a um horror, pavor, medo, aversão, abominação, asco, repugnância, repulsão, pânico, e o que mais colocarem de sinônimo… Sempre a um nível patológico…

Fobia é coisa séria, geralmente relacionada ao pânico e acreditem, de pânico eu entendo muito bem…

Mas eis que esses dias, navegando pela rede, me deparo com uma fobia que não fazia ideia da existência: “nomofobia”. Nomofobia vem do inglês “no mobile”, ou seja, é fobia por estar sem o celular. De acordo com a reportagem, essa fobia atinge cerca de 76% dos jovens britânicos e, para ser caracterizada como fobia, a ausência desses tipos de aparelhos deve trazer prejuízo significante à vida, ou seja, causar sensação de pânico e impotência, atrapalhando a vida profissional e pessoal. Segundo a pesquisadora, quando as pessoas ficam dependentes desses aparelhos, elas passam a apresentar vários sinais ao ficar longe deles, como taquicardia, suores frios, dor de cabeça e sensação de nudez.

Fiquei cá pensando com minhas presilhas e imaginando as seguintes possibilidades: daqui a pouco os alunos chegarão com a justificativa, assinada pelos pais, que perderam a prova porque precisavam voltar para casa pelo esquecimento do celular. Ou então um atestado médico: Fulano de Tal teve uma arritmia pois a bateria do aparelho acabou…

Entendo que o meu estranhamento vem do conflito de gerações (nem tão distantes assim), mas é muita maldade pensar que essa nomofobia é uma frescura?…

No final das contas, o que atrapalha a vida social é exatamente a presença dos aparelhinhos…

 

Rafaela Dalbem