Do caderno Vida e Cidadania, por Marcela Campos

O Colégio Medianeira, de Curitiba, mais uma vez contradiz a máxima de que a escola mais mata do que cria leitores. A prova está na terceira edição da Festa Literária do Medianeira, a Flim, como é chamada. O evento encerrou na sexta-feira, sem dívidas com as iniciativas similares que pipocam por todo o país. A diferença é que ocorre dentro de uma escola – escola que fica com as portas abertas, durante uma semana, para que o público possa participar. A organização, feita pela equipe do escritor, professor e produtor multimídia Cezar Tridapalli, lembra um pouco outro festival literário nascido dentro de um centro de ensino, a Jornada Literária de Passo Fundo, com sede na Universidade Federal de Passo Fundo. A jornada gaúcha, vale lembrar, alterou as práticas de leitura na região em que acontece, hoje a detentora do maior índice de livros lidos per capita do país.

Convidados

O que esse modelo promove é simples: vida e obra dos autores convidados são trabalhadas em sala de aula, preparando o encontro dos escritores com seus leitores. Na Flim, os estudantes do Medianeira entraram em contato com 14 autores, que tomaram a palavra em mediações feitas pelos próprios professores da casa. Neste ano, a festa trouxe nomes como Ilan Brenman, Eliane Brum e Daniel Galera. Várias das rodadas de conversa ocorreram numa tenda armada no pátio.

Tradição

O que acontece no Medianeira vale uma pesquisa de campo. Não é de hoje que o colégio desponta no campo criativo. Difícil um ex-aluno que não se lembre do professor e escritor Paulo Venturelli, responsável por despertar o gosto pela literatura em gerações. Vale levantar a lista de literatos, músicos e atores que passaram por ali. A tradição continua. Vida longa à Flim.

Fotos de Paulinha Kozlowski:

IMG_1348

IMG_2662

IMG_9499