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Ufa! Essa é a sensação primeira quando termina uma semana de programação intensa, como a que fizemos no Medianeira, e que temos feito desde 2010 dessa forma. Pra quem não sabe do que estou falando, é o Mediarte, que acontece há quinze anos, e a FLIM, que acontece há três anos. O Mediarte é a mostra das oficinas de arte do Medianeira, e teve formatos diferentes durante esse tempo, mas desde 2010 ele tomou a forma de uma semana inteira de programação. Em 2011 teve início a FLIM (Festa Literária do Medianeira), que passou a acontecer junto com o Mediarte. E logo em seguida concretizou-se a Flinzinha, a Festa Literária das crianças. Tudo isso acontecendo na mesma semana dentro do Medianeira.

Quem não viu, tente imaginar. Uma escola efervescendo nesse caldo maravilhoso de música, dança, teatro, literatura, cinema, artes visuais. Apresentações, exposições, oficinas, palestras, bate-papos, presença de escritores, músicos, artistas circenses e um show de MPB como encerramento numa linda noite de sábado.

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Nesse momento, você, que está lendo este texto, deve estar me questionando: por que ufa! Acabou!? Pois, é. Que pena, acabou…

Mas a verdade é que esse tipo de coisa não acaba nunca, felizmente. Trata-se de um processo, que se realimenta a cada ação realizada por meio das linguagens da arte. Desde o dia a dia das oficinas, até o momento da mostra e o depois dela, as consequências desencadeadas para cada um que toma contato com a arte. O efeito provocado por esse contato vai promover outras ligações, vai detonar alguma coisa que estava em estado latente, vai dar sentido à imaginação, que ligada ao desenvolvimento pessoal vai acender ideias possíveis em outros campos do conhecimento, e a consciência do todo se aprofunda, conectando as partes pela subjetividade, pelo sentimento, pela criatividade, pela imaginação. E daí conhecer pode se tornar emocionante.

Quando todos os educadores conseguirem perceber o potencial da arte para o ser humano, a escola vai viver a sua revolução necessária. Quando as pessoas que fazem arte não forem mais vistas por ninguém como um bando de loucos, que atrapalham o bom andamento da escola, quando todos os pais entenderem que não devem castigar seus filhos que abaixaram as notas tirando-os das oficinas de arte, quando a coragem de inventar for maior que a acomodação, quando o poder do questionamento for mais intenso que as respostas prontas, a educação estará num rumo sem volta. Um rumo que aponta para a formação do ser pessoal e coletivo, lúdico, emotivo, racional, crítico, tudo isso interligado e com igual importância, sem supremacia desta ou daquela área do conhecimento.

Ao dizer isso não afirmo que a arte é mais importante do que as outras áreas, mas sim que ela tem um potencial de agregar o todo, de questionar o que está fixo. A arte desestabiliza e, consequentemente, provoca a busca de respostas, promove a possibilidade de diferentes olhares sobre as coisas, por isso deve tomar seu lugar na educação tanto quanto a matemática ou a biologia.

Agora volto um pouco ao começo, a fim de justificar o alívio do fim da festa, pois dá muito trabalho fazer tudo isso acontecer. As pessoas envolvidas nessa organização sabem muito bem disso. Há muitas dificuldades pelo caminho, há muitos detalhes, que se não forem considerados as coisas podem não ter um bom andamento. Também nesse processo tudo se interliga e uma ação afeta outra, por isso é tão fundamental que cada mínima colaboração necessária aconteça para que tudo corra bem. Mas toda essa trabalheira, todo o cansaço, todas as dificuldades se anulam ao ver olhinhos brilhando na plateia, ao ver crianças e jovens interagindo com artistas e escritores de forma tão significativa, ao ver educadores percebendo e discutindo a continuidade dessas práticas em sua sala de aula, ao ver educadores que podem fazer a sua avaliação em outro momento para que aquela semana seja vivida sem essas “tensões curriculares”, ao ver setores da escola dando o melhor de si porque entendem a importância dessa movimentação. Se uma pequena parte ocorrer dessa forma, então já valeu a pena e, mal acaba, já nasce a vontade de fazer acontecer tudo novamente.

Sim, eu vi e quero ver tudo de novo!

 

Martinha Vieira