023---internet

“Sem formação inicial e competências intelectuais, a abundância informacional apenas cria a confusão, o zapping do turismo intelectual” (LIPOVETSKY, 2009, p.261).

 

Demorei cerca de duas horas antes de iniciar esta frase, desde o momento em que abri a página em branco do Word. Liguei o computador, abri o editor de texto e entrei na internet para ir atrás de ideias e referências que me ajudassem a escrever este post que até então não imaginava sobre o que seria.

Em uma tela uma página em branco e na outra o mundo por meio de cliques. Nesta, um tanto mais atraente, vi fotos de amigos, li uma porção de comentários de gente com mais opinião do que eu sobre os assuntos mais diversos, assisti a um vídeo engraçado com cães, outro sobre corrida de tratores no interior do Paraná, comecei um pequeno bate-papo com um colega de trabalho, vi e respondi e-mails, me informei sobre como tirar aquelas manchas de copo das mesas de madeira, fiz o download de um filme e de dois CDs, dei uma olhada rápida nas manchetes dos principais portais de notícias, consultei os filmes em cartaz, acessei minha conta bancária, naveguei pelas lojas-virtuais de algumas livrarias e, por último, pensei na página que continuava em branco.

E tudo isso porque liguei o computador com o objetivo na cabeça: escrever um post para este blog. Bastou uma pequena justificativa: “pesquisar algumas referências” para que, por bem ou mal, me perdesse na sedutora rede de informação sem fim. Arrisco em dizer, quase com certeza, de que essa dificuldade em lidar com o foco vs. fruição na web seja comum à maioria dos usuários.

Bom, então me pergunto como que a escola tradicional trabalha com uma turma de trinta alunos em que cada um, por meio do celular, possui na palma das mãos a opção da “tela-mundo” como possibilidade de fugir do conteúdo curricular obrigatório que não lhes parece fazer sentido algum? Tema para o próximo post, agora já com uma ideia na cabeça.

Abraço,

Vinícius Soares Pinto