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Um dia com muita neve, bem pertinho daqui e também aqui em Curitiba.

Vocês sabem quando foi a última vez que nevou em Curitiba, antes deste último julho?

Isso aconteceu quando muitos de vocês ainda não existiam… mas os avós de vocês, acho que sim.

Parecia inacreditável, mas foi no dia 17 de julho de 1975, um dia antes do meu aniversário.

Eu morava na área rural de Rio Negro, município que hoje faz parte da Região Metropolitana de Curitiba, mais ou menos a uma hora de viagem, uns cem quilômetros de Curitiba.

Eu tinha 8 anos. Era uma noite muito fria, e eu estava com dificuldade para dormir. Como no frio é comum as pessoas ficarem quietinhas, mais contraídas, me lembro de ter ouvido, naquele silêncio inquebrável, minha mãe cochichar para meu pai:

- O que fazemos? Não há cobertas para aquecer a todos!

Em seguida, os dois subiram os degraus da escada que dava para o sótão da casa, onde havia sete camas. É isso mesmo! Qualquer lembrança com o conto dos sete anões não é mera coincidência… Lá dormíamos eu e minhas seis irmãs.

Quando chegaram no quarto, minha mãe levava um bule com chá bem quentinho. Então, ela disse:

- Pulando rapidinho da cama todas! Trouxe uma coisinha que esquentará todas vocês. Prontamente obedecemos e meu pai rapidamente juntou as camas. Em seguida, minha mãe estendeu uma coberta sobre a outra, e nós, já aquecidas pelo chá, dormimos uma encostada na outra, quentinhas.

No dia seguinte, novamente ouvi os dois cochichando:

- Vamos acender o fogo no fogão a lenha, antes que as crianças acordem, porque lá fora está branquinho!

Pensei comigo: “Branquinho de quê”? Espiei pela janela e vi aquela fina chuva branca caindo do céu… Nossa! – soltei um grito com todo o vapor dos meus pulmões:

- Gente, está caindo farelinho de trigo do céu!

Todas saímos correndo e fomos brincar na neve. Atiramos bolas de neve umas nas outras, deitamos e rolamos, fizemos bonequinhos de neve, apesar da minha mãe gritar:

- Todos para dentro, já! No final das contas, ela também brincou conosco, porque aquilo foi muito diferente do que estávamos acostumadas a ver e ter. Afinal de contas, naquela época, na região onde eu morava, não existia a geladeira, nem energia elétrica. O gelo em nossas mãos parecia mágica.

 

Soilete Rehme