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Nos dias 01 e 02 de Agosto aconteceu em Curitiba o “X Congresso Brasileiro de Direito Ambiental, Lideranças e Sustentabilidade” na Universidade Positivo. Dentre as diversas palestras oferecidas, admito ter ido com o propósito de assistir à palestra magna, com Fritjof Capra. Confesso nunca ter lido um livro inteiro do Capra, sendo assim, “coração aberto” era o sentimento de ordem do dia.

As palavras proferidas por ele foram muito interessantes e gostaria muito de ter a capacidade de sintetizar em uma resenha bem organizada. Como isso não me é possível, mas acho uma pena que as ideias não passem pra frente, vou enumerar as ideias que permearam a intervenção.

Capra iniciou a palestra dirigindo-se a todAs e todOs em português, cumprimentando a plateia, a organização do evento e dizendo o quão feliz estava por estar novamente em Curitiba, esse modelo (sic) de cidade. Logo após ele mudou para o inglês e discorreu por cerca de 1h sobre as seguintes ideias:

 

  1. A ecologia é a ciência das relações e a nossa sobrevivência depende do quanto conhecemos e vivemos de acordo com os sistemas ecológicos. Ecologicamente falando, só é possível viver através da cooperação.

 

Acredito que do ponto de vista ecológico é bastante simples ver essa necessidade de cooperação (ok, nem toda cooperação é voluntária, principalmente no que diz respeito à alimentação, mas é possível visualizar esse sentido de cooperação ao falarmos de vida/natureza). Após essa introdução ele passou a relacionar o sistema ecológico ao nosso modelo de economia.

 

  1. Economistas e políticos, em sua grande maioria, não entendem o sentido de cooperação e de visão sistêmica e sempre pensam linearmente. Nosso atual sistema econômico parece não conhecer um limite e não inclui custos com o meio ambiente. O intuito não é dizer que o crescimento deve parar, mas na natureza o crescimento é acompanhado de um declínio e a reciclagem de velhos elementos culmina no crescimento de um novo ‘produto’.
  2. A corrupção chegou a um ponto absurdo onde a riqueza está saindo dos pobres para os ricos e esse ‘modelo de crescimento’ deve mudar. É necessário distinguir o bom crescimento do crescimento ruim. E nesse caso o exemplo da natureza pode ser usado como parâmetro de novo: O crescimento ruim é aquele que extermina o meio ambiente através do uso de produtos tóxicos. O crescimento bom acontece através da utilização de tecnologias eficientes que não faz emissões, utiliza de reciclagens e apoia o comércio local.

 

Para encerrar, Capra ainda afirmou que é necessário o reconhecimento de que a política brasileira está melhor – sim, pode melhorar – e que o Brasil tem a possibilidade de se tornar um líder mundial pelas possibilidades de conversa com a natureza e a utilização de produtos locais para o desenvolvimento econômico.

Agora vem a pergunta: Devemos cobrar os políticos para que comecem a agir dessa forma?

Sim e não. Cabe aos governantes, disso não há dúvidas. Mas cabe à sociedade como um todo em mudar o pensamento sobre o que é crescimento, o que é desenvolvimento e tomar parte no processo.

 

Rafaela Dalbem