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Em tempos de pessoas que olham cada vez mais para baixo fixadas em seus smartphones, o homem urbano comum tornou-se uma espécie de ser movido e focado em performance, representação e otimismo, não sobrando espaço para crítica, reflexão e desilusão. O relevante para o sujeito contemporâneo é a busca pela materialização de seus sonhos que, constantemente, lhe são apresentados por meio de relações mediadas por uma tela.

No entanto, engana-se quem pensa que o fervor e o ritmo frenético deste homem “performático” é constante. A partir do momento que ele percebe que suas conquistas reais são menores do que as que lhe foram prometidas pela sociedade do espetáculo, surge a sensação de impotência e frustração. Ao mesmo tempo, como afirma o professor Gilberto Dupas, é a performance que define o lugar social do indivíduo, quanto mais ele consegue lidar com as diferentes demandas de seu tempo, maior o seu prestígio e reconhecimento. “O sujeito da pós-modernidade é ‘performático’ está voltado para o gozo a curto prazo e a qualquer preço, reduzindo a importância dada àquilo que toma tempo e a aceitação dos sacrifícios que isso impõe”.

É legal observar que o mundo do entretenimento advindo do crescimento urbano e do progresso tecnológico não busca a atenção do espectador apenas pelos estímulos audiovisuais, mas também através do medo e das neuroses causadas por tamanhas mudanças na sociedade. Desse modo, a indústria do espetáculo utiliza-se muito do sensacionalismo popular, tirando proveito dos infortúnios acontecidos com sujeitos, até então anônimos e comuns, como ferramenta para chamar atenção do público na hora de lhes oferecer notícias, espetáculos e produtos culturais.

Diante esta realidade, em que a indústria e o espetáculo se apropriam dos medos, angústias e problemas ocasionados pelo modo de vida pós-moderno, o homem capaz de superar essas dificuldades e vencer – mesmo que o significado da palavra vencer na sociedade do consumo seja ligada ao ato de ser feliz a partir da possibilidade de comprar – torna-se um sujeito valorizado e admirado pela sociedade contemporânea.

Como diria Zygmunt Bauman, o atual modelo de vida faz com que o indivíduo precise avaliar, todos os dias, o seu próprio desempenho em relação ao próximo, tendo que lidar com o risco da auto-reprovação e do auto-desprezo. Infelizmente.

Vinícius Soares Pinto