Semana passada, durante a FLIM – Festa Literária do Medianeira, o colégio passou por alguns dias de intensa programação para se falar, discutir, refletir e pensar o papel do livro e da leitura na vida da gente. Teve feira de livros, oficina de criação literária, palestras e bate-papos com escritores, ilustradores, editores, contadores de histórias e grandes leitores, além de muita gente circulando e conversando sobre livros. Realmente tudo o que se espera de uma grande festa literária! Foi muito bacana.

Então para iniciar uma semana nova, ainda com um clima de ressaca – uma ressaca boa, se é que existe ressaca boa – após tanta coisa interessante vista, escutada e lida num período de tempo tão curto, quero só chamar atenção para um tipo de comentário que escuto muito quando se tem pessoas conversando sobre bens culturais, aqui no caso, livros. Aquele assim: “O fulano perde tempo dele lendo aquele tipo de livro do autor sicrano de tal. Devia estar lendo literatura de verdade!”. Acho um perigo esse julgamento, ainda mais quando quem julga, muitas vezes, ao menos leu aquilo que tanto apedreja. E muito comum também quem apedreja também apenas reproduzir opiniões e gostos daquilo que lhe foi dito como literatura de verdade, e não por, realmente, ler, gostar e ter tido algum tipo de experiência estética com os livros que gosta e os que não gosta.

Dias antes da FLIM, relendo o livro “Frenesi Polissilábico” do escritor Nick Hornby, me deparei com um trecho em que o autor toca bem nesse assunto:

“E, por favor, pelo amor de Deus, parem de fazer pouco caso daqueles que estão lendo e curtindo um livro – O código Da Vinci, por exemplo. Para início de conversa, ninguém sabe que tipo de esforço isso representa para o leitor. Pode ser o primeiro romance adulto que a pessoa esteja lendo na íntegra; pode ser o livro que finalmente revele o propósito e a alegria de ler para alguém que até então estava confuso pela atração que os livros exercem sobre os outros. E, de qualquer forma, ler por diversão é o que todos nós deveríamos fazer. Não quero dizer que todos deveríamos estar lendo romances água-com-açúcar ou suspenses baratos (embora, caso seja essa a sua praia, por mim tudo bem, pois vou lhe contar um segredo: nada de mau lhe acontecerá se você não ler os clássicos ou os romances que ganharam o Booker Prize deste ano; e, mais importante, nada de bom lhe acontecerá caso você os leia); estou simplesmente dizendo que virar páginas não deve ser como caminhar num pântano com lama até a cintura. Os livros são para ser lidos, e se você achar que não da pé, provavelmente a culpa não é de sua incapacidade: às vezes, os ‘bons’ livros podem ser bem ruinzinhos.”

Acho que é bem por aí.

Forte abraço!

Vinícius Sores Pinto