Talvez uma das coisas mais difíceis para um jovem-adulto, aquele que recém saiu da adolescência cheia de expectativas e ingressou no mercado de trabalho, seja aceitar que ele, provavelmente, não será o astro do rock, nem o executivo mais bem pago do mercado, muito menos, o mais novo gênio a ser descoberto. Aceitar que ele, assim como 99% das pessoas, se tornou mais um trabalhador comum. Quem sabe, um professor, o homem atrás do balcão da imobiliária, o responsável por aplicar multas nas ruas, o cara que vende cortinas, o escritor não lido. Por que não?!

Um dos primeiros tropeços em relação à vida adulta, pode ser logo nesse início. Começar a encarar de frente as dificuldades de lidar com as próprias escolhas e se dar conta de que a vida não se passa de um grande jogo em que, quando você se dá conta, já está no meio dele, descobrindo e acreditando em certas regras que lhe foram recomendadas a seguir. E aí, uma das centenas de suas fichas podem cair, por sorte ou azar o seu, e você se perguntar? Tô indo pelo caminho certo? Mas qual é o caminho certo?

É possível que amigos lhe digam que o caminho seja aquele; a família pode dizer que não, que o correto é este; e a namorada lhe afirmar de pés juntos que o correto seja uma terceira opção. Realmente, é difícil e doloroso!

Bom, um começo pode ser acreditar nas escolhas que lhe permitam ficar mais tempo com aquilo que lhe proporcione mais prazer, sem abrir mão das obrigações que a vida, querendo ou não, lhe impõe, como pagar a conta de água e luz no fim do mês. Ou seja, trabalhar, sim, é necessário, mas torná-lo algo como um sacrifício diário, apenas com o objetivo de satisfazer as necessidades e “mandamentos” ditados por aqueles que estão à sua volta que, realmente, é um problema. Afinal, você tem a vida que você quer ter, ou a vida que os outros querem que você tenha?

E é nesse ponto que o pensador Gilles Lipovetsky, em seu último livro Cultura Mundo, realça a importância da cultura, a leitura, para ajudar o indivíduo a fazer suas próprias escolhas e seguir seu caminho: “A cultura não é contra a paixão: é, ao contrário, o que deve alimentar as paixões ricas e boas dos indivíduos. Não mais apenas exaltar a profundidade, mas talvez realizar algo mais importante para a maioria: impor limites à desorientação e fazer com que os homens tenham autoestima quando envolvidos com atividades que mobilizem sua paixão por superar-se e assumir o papel de protagonistas de suas vidas”.

Para encerrar, um vídeo muito bacana que mostra como as diferentes gerações têm lidado com as escolhas da vida profissional:

Um abraço!

Vinícius Soares Pinto