Há exatamente dois anos estive em Porto Alegre, na PUCRS, no Congresso Internacional de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil, participando de discussões acerca da leitura na América Latina. Recordo-me bem que, no último dia de congresso, no auditório do prédio 40, fora anunciada a data do próximo encontro: 09, 10 e 11 de maio de 2012. Anotei na caderneta que levo sempre comigo e pensei: “eu vou!”. E fui!

Assim, no dia 09 de maio deste ano, estive novamente na PUCRS, no mesmo auditório, interagindo com pesquisadores da leitura e da formação de leitores. Participei, além dos simpósios e mesas-redondas, do Círculo de Discussões com o contador de histórias Francisco Gregório Filho, que nos desafiou – e encantou! – com o seu texto “Arvoraaão” – porque bons textos desafiam seus leitores. No breve texto, Gregório Filho teceu poeticamente linhas que falam sobre as árvores da sua vida. E nos fez recordar das árvores da nossa vida (sim, todos temos ao menos uma). Pediu que fizéssemos um texto para compartilhar com os colegas. É esse texto que trago aqui ao blog neste post.

De pronto, à medida que fazíamos a leitura do texto, meu coração foi se enchendo de alegria quando tantas árvores foram desfilando nos olhos da memória.

Recordei do araçazeiro da vizinha, que eu tanto torcia para ultrapassar a fronteira do muro que separava nossas casas e, depois, esperava com a impaciência da infância que ficassem amarelos e doces.

Depois, veio o tomateiro-japonês-que-era-tão-da-dona-Maria, mas que eu observava diariamente para vê-lo amadurecer. E quando isso acontecia, batia palmas no portão: “Dona Maria, tem um tomatinho pra mim?” E, se ela estava de bom humor, levava para casa a sacola cheia, cortava o fruto ao meio e comia com açúcar. Quanta doçura!

E na chácara do meu avô então? Sinto ainda o cheiro das laranjeiras que escalava com meus primos na busca da laranja mais ao topo, mais difícil de alcançar. E vejo a mão franzida empunhando o facão que deslizava com calma e precisão ao redor da laranja, que ia perdendo a casca sem que esta se partisse, sob o olhar azul e risonho do meu avô.

Mais tarde, surgiram os ipês amarelos da Rua Fagundes Varela, que quando floresciam, alegravam a professora Maria Helena e eu, tão criança, não compreendia o porquê.

Árvores tão minhas, tão da vizinha, da dona Maria, do meu avô, da minha professora de Ciências. Árvores que tatuaram a memória, teceram o acervo e que foram resgatadas pela literatura, pelas palavras do Francisco Gregório Filho. Árvores do passado que, de certa forma, ainda estão tão presentes, que ainda são tão minhas. Conheço cada uma dessas árvores de cor… de coração.

Deisily de Quadros

*O texto “Arvoraaão”, de Francisco Gregório Filho, pode ser encontrado na revista “Novas Vertentes”, página 28: http://www.novasvertentes.com.br