Era sábado, dia 16 de maio de 1987. Claúdia estava na festa de 90 anos de sua “nona”. A bolsa estourou, atrapalhando o corte do bolo. As atenções voltaram-se para Claúdia e sua menina que estava prestes a nascer.

Olhos muito azuis e um choro estrondoso – nasceu a filha de Cláudia. Chamou-se Dayane. Recebeu esse nome em homenagem à princesa de Gales. O bebê intruso que bagunçou com as bodas da “nona” sou eu.

Neste dia frio, tipicamente curitibano, completo um quarto de século. É meu aniversário, dia que sempre gostei de comemorar. Porém, de um tempo pra cá meus aniversários têm se tornado cada vez mais insossos. E depois de passar o dia refletindo sobre isso, cheguei à conclusão que a culpa é das redes sociais.

Pois antes da popularidade do Orkut e do Facebook, as pessoas costumavam lembrar ou ter uma agenda para anotar os aniversários dos entes queridos. As pessoas tinham o hábito de ligar para o aniversariante. Atualmente, com a explosão das redes sociais, cada vez menos se liga, mas mandam-se “posts” ou “scraps”.

Comparativamente, a quantidade de felicitações que um aniversariante nos tempos das redes sociais recebe é enorme. Mas eu gosto é de qualidade. Num tempo atrás, pouco tempo atrás, quando se ligava, as congratulações eram em menor quantidade, porém ouvia-se a voz das pessoas, seus suspiros, suas risadas, suas palavras de carinho. Aproveitava-se para contar da vida, falar as novidades. Muitas vezes você só falava com o aniversariante uma vez por ano, neste dia, mas eram conversas mesmo.

Hoje, ao abrir as redes sociais no dia de sua boda, o aniversariante recebe centenas de “parabéns” dadas por pessoas que ele mal conhece. E o mais grave é que até os amigos próximos e queridos e os próprios familiares entraram na onda do mundo virtual e acham cafona ligar para parabenizar.

Aos 25 anos, percebi que sou cafona, caso isso signifique gostar de gente de verdade. Obviamente a internet tem seu valor e facilita muitíssimo a vida moderna. Mas ela não pode substituir gente de verdade, palavras de verdade, sorrisos de verdade, abraços de verdade. Você pode estar pensando que este texto é um lamurio, uma lamentação de uma menina mimada que deseja ser o centro das atenções no dia do seu aniversário. Na realidade, a data de hoje só me serviu como pretexto para refletir sobre a importância das relações pessoais de verdade, da necessidade do contato humano. Por isso, faço um apelo nesse dia especial: no próximo aniversário de alguém importante para você, saia de frente deste computador, tire seu telefone do gancho e dê felicitações de verdade.

Dayane Hessman