Você deve achar que há algo de errado com título desse texto. Calma aí. Quem já viu as tiras de humor que estão espalhadas por aí, tanto nos blogs e agora massivamente no Facebook, sabe do que estou falando. “Le” é usado como uma palavra coringa, como por exemplo: “Le eu ouvindo ouvindo música”, “Le dentro de casa”, “Le Derp andando de skate”. Essas frases fazem parte do universo dos Memes, que são, numa definição bem simples, personagens, expressões, vídeos, fotos, ou melhor, tudo o que tem uma reprodução massiva na internet. Aí podemos citar como exemplo os “Chuck Norris facts”, difundidos há uns 3 anos, com os feitos notórios do grande personagem do cinema. O mesmo acontece com os personagens dessas tirinhas, que já datam 2 anos, em média, de existência.

Como características gerais temos os seguintes aspectos: desenhos toscos, episódios cotidianos e, invarialmente, engraçados.

A verossimilhança não é uma regra geral:

 

 

Muitos memes saíram da vida real:

 Toda a produção deste conteúdo é feita pelas mesmas pessoas que o consomem. É a característica da internet 2.0, na qual os usuários passam de  meros consumidores de informação a produtores.

Agora, uma comparação talvez esdrúxula, mas ainda válida. Sabe quando toda a família se reunia aos domingos, depois do futebol, para ver as Vídeocassetadas do Faustão? Há um segmento na web que trata só disso. Só muda o nome. São os chamados fails (ou falhas, no português), ou ainda os wins (vitórias). Basta uma busca no Youtube para vermos a vasta compilação com esses tipos de vídeo. É outra vez a aparição da Web 2.0. Muito daquilo a que assistíamos no Faustão era possivelmente “comprado” por aí. Claramente, dava pra perceber que não eram só imagens gravadas no Brasil. Ou seja, aquilo não era “construído” propriamente com as imagens que os telespectadores enviavam (até porque, pensando em meados dos anos 90, não era toda a família que possuía uma câmera VHS). Nesse momento, deve haver alguém fazendo algum tipo de filmagem com um celular, ou com câmera digital qualquer. Depois de gravada a tragédia (que, na maioria das vezes, é aquele mesmo conteúdo reproduzido nos domingos à tarde), é só o usuário upar na internet e pronto, conteúdo disponível para qualquer um no mundo ver. O que reforça a ideia do usuário como geradores de informação.

Um filme típico de Wins:

Pra quem já ri e que agora quer fazer outros rirem, vai aí um lugar no qual você mesmo pode fazer sua tirinha: http://www.mememaker.com.br/meme-maker

Diego Zerwes

É publicitário (UP) e Especialista em Literatura Brasileira e História Nacional (UTFPR). Trabalha na Comunicação do Colégio Medianeira. É tradutor (diletante) da vasta obra musical de Leonard Cohen, publicada periodicamente no Traduzindo Leonard Cohen.
Leia outros artigos dele aqui.